Aeroporto de Araripina sofre com abandono

Está cada vez mais difícil a possibilidade de operar uma aeronave em Araripina à noite!
Na verdade nunca pôde. Antes de 2002, quando o aeroporto local ganhou o sistema de balizamento noturno, o que se fazia quando precisava que alguma aeronave entrasse em nosso espaço aéreo após as 18h era, juntar o maior número de pessoas com carros e “iluminar” a pista para que algum aventureiro pouse e faça seu trabalho, mesmo que ilegal, sempre tratava-se de uma emergência que tinha que remover algum enfermo para a capital.
No entanto, em 2002 o aeroporto foi contemplado com o sistema que iria acabar com essa improvisação e, livrar os pilotos de uma possível multa ou até mesmo um acidente, visto que pessoas e automóveis próximo à pista dobram as chances do pouso se transformar em tragédia.
De lá pra cá, o balizamento só tem sido alvo de depredação, os guardas-campo que tem vivido lá nesses 8 anos não tem autonomia para adquirir o material (luzes, lentes, etc) para repôr. A Prefeitura não se manifesta para manter o aeroporto “em dias” e a coisa fica cada vez mais precária.
Interessante é que, mesmo que estivesse com todas as luzes funcionando, hoje, ainda seria PROIBIDO o uso do aeroporto à noite!
Aí você se pergunta: Por que?
Todas as melhorias e benfeitorias feitas em um aeroporto, seja ele público ou privado, para tornar-se apto, não basta apenas dotar ele de “n” equipamentos, tudo precisa ser vistoriado e aprovado por uma equipe do II COMAR (Comando Aéreo Regional), QG da Aeronáutica em Recife. Somente com a homologação e liberação, é que será emitido uma atualização no ROTAER (Manual de Rotas Aéreas) com a inclusão do respectivo aeroporto, dando suas características de operação (diurno, noturno, visual, instrumento, etc).
Todas as pistas de aeroportos pernambucanos do interior que são providas de balizamento são homologadas (Arcoverde, Salgueiro, Serra Talhada, Garanhuns, Caruaru, Belo Jardim), Araripina é a única cidade que tem o equipamento devidamente instalado e não é homologado, tornando impossível a operação noturna até em casos de emergência.
Para se ter uma idéia do abandono, das 68 luzes que balizam nossa pista de 1245 x 26m, apenas 13 estão em funcionamento, além da biruta que está com as 4 luzes queimadas e o farol rotativo que não está funcionando da forma que deve ser, fora o asfalto que está em péssimas condições e a sinalização horizontal que já sumiu!
Se continuar do jeito que está, vai terminar igual outros do nosso estado que encontram-se fechados por abandono, como Ouricuri, Belém de São Francisco e outros.
Para quem quer vir à Araripina de avião a noite, terá que colocar o seu plano de vôo para as cidades que tem balizamento e são homologados mais próximas como Fronteiras-PI (que possui um ótimo aeroporto), Campos Sales-CE ou Juazeiro do Norte-CE.
Aeroporto é desenvolvimento, não apenas uma faixa de asfalto para uso daqueles com alto poder aquisitivo usar suas aeronaves quando bem quiser.
Sobre o autor

Diogo Alencar

Moro em Araripina, sou Piloto de aeronaves formado pelo Aeroclube Regional do Cariri, trabalho atualmente como free lancer e estou fazendo o curso prático de piloto comercial.

2 Comentarios

  1. Muito oportuno o tema. Não é apenas, porém, a pista de pouso de Araripina que precisa de atenção. Se verificarmos o acesso ao campo de pouso veremos o quanto está abandonado, cheio de buracos, verdadeiras crateras, o caminho que dá acesso àquele local tão frequentado pela população, mesmo a que não anda de avião. A última vez que essa pista foi recapeada foi na administração do ex-governador José Ramos, exatamente no tempo em que foi inaugurada a perimetral, que é uma extensão da mesma pista.

  2. Errata: Quero corrigir quando mencionei que o Aeroporto de Salgueiro está homologado para operações noturnas, o mesmo não possui sistema de balizamento noturno.

    Sobre o comentário do amigo Sandro, realmente meu caro, o acesso ao aeroporto está “intransitável”, para quem não sabe, o movimento bancário depende dos malotes que vão e voltam todos os dias de avião para a capital, e TODO SANTO DIA os taxis passam naquela lastimável estrada, isso termina danificando seus automóveis, bem como atrasando na chegada dos malotes e na saída.
    Em 2007, uma indicação do Dep. Bringel solicitava a recuperação do acesso, que foi enviada e aprovada, no entanto, não saiu do papel. Link do documento: http://www.alepe.pe.gov.br/paginas/?id=3600&paginapai=3573&numero=1680/2007&docid=648626

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